Garota Carioca

Tive primeiros encontros incomuns; não gosto de mesmice. Nada extravagante ou caro; a criatividade e a simplicidade proporcionam situações e resultantes inesquecivelmente mágicas.

Um dos mais memoráveis foi a garota do Rio. 26 anos, inteligente, pró-ativa, encantadora. Bela, cabelos cacheados, atlética, negra. Visão causadora de autêntico desejo, pela natureza topográfica e arquitetônica, pela personalidade estimulante e feminina, forte e independente.

Conversamos por meses através de um site e após, por email. Perto de nos encontrarmos, por whatsapp.

Mais de sete horas de ônibus do Rio até aqui. Encontrei-a na rodoviária, olhamo-nos, sorri, e com um gesto de cabeça indiquei nossa direção. Atravessamos a rua, dei-lhe um dos capacetes que levava na mão, subimos na moto e passamos pela cidade que ela desconhecia. Apertou-me a cintura, carinhosamente. Toquei e acariciei seu joelho e coxa, para lhe dizer que tudo estava bem.

Entramos no prédio, subimos e fomos ao banheiro. Tirei-lhe as roupas, a insinuei que tirasse as minhas. Entramos sob o chuveiro quente, a água abundante, molhando-nos por completo.

A ensaboei lenta e firmemente, de frente. Deslizei as mãos por todo seu corpo, seus pés, pernas, vagina, barriga, seios, pescoço, rosto.

Virei-a, começando novamente a banhá-la pelos pés. Coberta de espuma branca, lhe manipulo as costas, sentindo as tensões musculares desfazendo-se sob o deslizar de meus dedos. Ela apoia o rosto e o corpo contra os azulejos, pouco antes de sua nuca ser massageada, fazendo-a suspirar entre o relaxamento, o prazer e o tesão.

Abraço-a, por fim; minhas mãos percorrem seus braços, abdômen, coxas; meu pau duro, ereto, imodesto, se acomoda entre suas nádegas, como a linguiça no pão. Toco sua buceta, parando-lhe a respiração. Lentamente deslizo entre seus lábios, a fazendo expirar o ar aprisionado em seu peito, impossível contenção ante as sensações que a imergem em tantas expectativas e fantasias com o ansiado homem distante. Quando minha mão e dedo, preenchendo todo o meio de sua flor encharcada de desejo desliza tocando o clitóris, seu gemido antecede minhas palavras sonoras, na primeira vez em que ela ouve minha voz: “que bom que você está aqui”.

A sensação de prazer do momento áugico é ampliada profundamente; a voz do homem desejado, das noites solitárias de frio sob o cobertor, é finalmente ouvida. Sonora, limpa, íntima, envolvente, natural.

Em mais de seis meses de conversas online, o som da voz do objeto do desejo lhe era inaudito. Eu já ouvira a dela; recebi de aniversário um vídeo com uma mensagem sobre o que conversávamos e os desafios da vida de cada um, seguido de um trecho de uma canção com voz e violão, executado por ela, em uma só tomada. Ela recebera apenas fotos minhas.

Então virou-se, novamente de frente; beijei-a na face, cheirei seu pescoço, nos encostamos com o rosto, minha barba em seus contornos, queixo, bochechas; desci beijando seu corpo — ato deliciosamente inolvidável — e a chupei. Intensa e lentamente, toques ocasionais, provocantes; decididos, invasivos, muito molhados. Eu me ajoelhava e era pisado por um dos pés da mulher que tanto desejara, que se apoiava sobre minha coxa. Uma cena esculturável, sentado ao piso do box vaporoso, o corpo masculino molhado, musculoso e definido, as pernas dobradas para o mesmo lado. Ante ele, altiva, feminina, toda uma ode de vida e beleza exalava-se dela, tomando-lhe os sentidos e o âmago, exultando-o ao êxtase daquele momento, e de quem mais presenciasse tal lírica irreprodutível. A sorvia como um mortal escolhido por uma deusa, escultura, ébano profundo, pele, músculos, cheiro de mulher. Ela gemia, suspirava, intenso momento eterno de prazer íntimo. A água que caía do potente e barulhento chuveiro elétrico nos envolvia em seu calor, como um manto de delícias a nos abraçar e seduzir.

Quando seu desejo já havia ultrapassado seu controle de si mesma, e ainda assim mais além, subi. Olhando-a nos olhos, segurei e levantei uma de suas esguias e fortes pernas, e a penetrei. Foi como um orgasmo, sem que o prazer ou o desejo diminuíssem, mas aumentassem. Minha sensação foi intensa, no pênis, no períneo, no corpo inteiro; e invadiu-me a alma, ao ver e sentir a intensidade dela, engolfada de sensações profundas, contrações, arrepios, energia. Maravilhei-me, gozei intensamente novamente, sem orgasmo final; tudo se multiplica ao viver o prazer da mulher que desejo, de quem sou motivo do seu tesão e lascívia.

Beijei a boca carnuda, bela, lábios entumescidos e lânguidos, saliva deliciosa. Eis então, nosso primeiro beijo.

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