Jornada para o Oeste

A Beleza esvai-se tal rio se tornando córrego. Arquitetura polida; todo afresco é limado, gravuras ocultam-se sob musgo, terra e ferrugem. Minúsculos grãos de areia e pó sobem ao ar, opaciando notas, desestruturando acordes de pássaros, madeira e metal. Os corpos entristecem, tornando morte o que era vivo; enrijecem-se, destidos da fluidez inata, esculturando estátuas tristes de solidão escura como ocaso solar em deserto infindável. A música abandona os vivos e deserda os espíritos, seguindo para o horizonte ocidente em rota velada.

Limpidez rareou às vozes, a profundidade ao juízo, as cores desbotam-se aos destinos.

Sobre toda a superfície o conhecimento desdobra-se, em busca de ouro e mais ouro. Eis a divindade emergida, oniprevalescente; o ostentocentrismo.

Não é possível ostentar o que se sente sobre o que se vive. Todo tipo de ostentação é um amendrontamento disfarçado, do próprio sentimento de insuficientalidade.

Galhardeiam palavras; sobra volume e faltam tato, elegância, graça, substância, raciocínio, vocabulário.

Ausenta-se a magia. O ato vence o sentido; permanece o vazio oriundo de fugir de si mesmo.

The Age of Beautiful and Essence is over.

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