Biquíni e Fogão

A encontrei de biquíni, na cozinha. Preparava algo no fogão. Pelo aroma, era muito bom.

Levava uma toalha azul presa enrolada à cintura, incapaz de ocultar a evidência de suas curvas, sua bunda redonda e bela; encanto dentre tantos que a seu homem seduz.

Trazia a parte posterior do torso desnudo, exceto pelos fios que fixavam a parte superior do biquíni ao meio das costas e ao pescoço. Aproximei-me em silêncio. A um palmo de distância, observava os cabelos molhados ao longo das escápulas e lombar, o jeito como se movia, o odor fresco de banho longo.

Meu pau ficara grande e grosso, túrgido pela proximidade da mulher que me deseja, cujo corpo, beijo, gemidos e olhar me acompanhavam durante os dias em que não a via. Ideias emergiam à minha consciência, oriundos de avidez crescente pela musa de minhas fantasias eróticas, boas o suficiente para ensejar repetições inéditas constantes.

Apropinquei meu peito musculoso de suas costas, e as coxas e o cacete latejante de suas nádegas. Os braços suados por fora dos seus, apoiando-me com as mãos em parte sobre o fogão, ora sobre as suas. Meu queixo acaricia sua tez levemente; a barba por fazer, minha voz e o sopro por ela produzido em seu pescoço e ouvido germinam desejos indecentes.

— Gostosa.

A seu ouvido ressoa como poema e afirmação, melodia profundamente envolvente e suavemente invasiva, declaração inquestionável pelo tom, palavras e fatos.

Acostumada ao inacostumável em seu homem, o misto de susto e aconchego lascivo resulta em tesão intenso e imediato. Sua nuca, braços e barriga eriçam os pelos, encrespam a pele. O frio sobe do ventre ao tórax, as costas contraem-se, a vagina molha-se em um espasmo e a respiração ofega, uma inspiração de frio expirada em calor.

Continuou a cozinhar, mexendo na panela a massa de batatas cozidas finamente amassadas com leite, sal e manteiga. De encontro ao chão, agora a toalha que a envolvia não mais dificultava sentir na epiderme umedecida pelo banho, meu volume a desejar lhe preencher. Movi meu peitoral pressionando-o contra ela, deslizando para cima, a rola ereta forçando acomodação entre as topografias que lingerie nenhuma sua consegue esconder.

Sentiu arrepios ao longo da coluna, empinou a bunda. Largara uma mão da vasilha metálica ao fogo para alisar a nuca do moreno alto, protagonista de seus sonhos românticos, viagens cogitadas, risos espontâneos, beijos intensos e sexo inigualável.

Toco sua cintura com a mão direita, e com a esquerda sinto seu dorso liso, belo, provocante. Passo por sua lateral pélvica e alcanço seu abdômen, causando-lhe nova onda de calor e tremor. Anelava, ansiante; perdia-se, nos percursos incertos dos encontros suaves de meus lábios na face, e nos caminhos da outra mão entre seus cabelos e ombros.

Um dedo encontrara a borda frontal do biquíni, encaixando entre a pele e o vestuário de banho. Lisa, depilada; passo ao lado, pela coxa vigorosa e desenhada, acompanhando a junção com a pélvis, e deslizo ao encontro da entrada do canal vaginal. O toque a faz retesar e escorrer mais líquido transparente viscoso, de delicado aroma desejado e gosto delicioso. A falange média flui entre os lábios íntimos com pressão suave, parando antes da protuberância acima e voltando seu caminho, negando o encontro desejado ao pequeno botão mágico.

Brinco assim por algum tempo. A gastronomia perdera; abandonada fora a colher de madeira que mexia o alimento, pela mão afoita por tocar o membro agora ainda mais duro, alisando-o por cima da roupa. Aprofundo o ventre digital entre os lábios ora melados, quentes e macios, que me reviram à cama noturna solitária mediante sua simples lembrança. Empertiga-se; os seios entumecidos comprimem a veste de praia e os bicos eretos reagem ao movimento, causando-lhe desfastio e mais tumulto entre as pernas e por suas entranhas adentro. Penetro metade do dedo em sua flor molhada, enquanto a outra mão espalmada cobre o pescoço e lhe vira a cabeça para o encontro de meus lábios, palatáveis e molhados, em um beijo quente, carinhoso, firme e suave, para então simultaneamente tocar seu clitóris. Gemes abafada por minha boca, contrai-se toda e desfalece ao mesmo tempo, quando a sensação somada ultrapassa teus costumes desacostumados, e o gáudio, libidinoso, mostra nuances de jeito, toque, clima, feeling e timing que nem imaginavas existir.

O tempo entrega tesouros aos corajosos e merecedores.

Após algum tempo a masturbando, sem que eu permita qualquer possibilidade de orgasmo — maldade maior, pois teu corpo implora por enfim gozar oprimindo fortemente as coxas, a vulva, vagina, útero, barriga; hipersensibilizando os mamilos e os lábios, agora levemente beijados, inundando a alma em êxtase devasso e irrefreável de puro prazer, luxúria onírica — e no limite de tua resistência sã, viro-a de frente para mim.

Solto seu bustiê praiano, lançando-o casualmente para trás. Puxo um laço lateral de seu biquíni multicolorido, que com pequena ajuda cai, inerte. Olho-a nos olhos por um segundo ou mais, momentos em que a contagem do tempo tanto faz.

Lês em tudo, na cor e no profundo, a mensagem que sem palavras e inconsciente lhe murmuro: lenta e suavemente, vou sua buceta lamber e chupar, beijá-la como se sua própria boca fosse. E namorar teus grandes com meus grossos lábios longamente; beijo apaixonado em esquina de cinema ou canto de festa-balada, cheio de saudade, como se sentasses de lado em meu colo e me abraçasse após tempos sem nos ver.

Abaixo-me beijando seus seios. Chupo-os gentilmente, passando desapressadamente o comprimento da língua molhada por eles, em movimento longo e de toque aveludado, perfeito, quente, líquido. Insólitos são os sentidos, anseias meu toque salival de volta aos teus lábios superiores, que vá aos inferiores, queres ser penetrada, precisas de tudo ao mesmo tempo. Ira-se, regozija-se pelo homem que a faz tantas concupiscências sentir, tal libido imensa expirar. O controverso lhe é presente, à efervescência heterogênea em teu cerne, patente.

Os beijos encontram sua barriga linda e se aproximam com saliva abundante de sua buceta escorrendo e vibrando, suas pétalas lânguidas de calor, sabor e maciez. Ambiciono tudo, cobiço-a inteira. Quero te tomar sem pressa ou partitura, apenas no tato e improviso, cena de arrebatadora tortura.

A frente de meus ombros toca suas coxas, os braços avançam entre e meus dedos passeiam por trás delas, alcançando suas nádegas rijas de arquitetônicas curvaturas gregas. Instrumentos de prospecção da geografia e riquezas de seu corpo, estas mãos se espalmam segurando-as resolutamente enquanto a boca beija, deliciosa, seu monte venusiano. Lambo-a por fora, à orla exterior. Uma passada externa duradoura, antes marcada nos sentidos que no relógio. Consigo espaço para um pouco do meu corpo entre o compasso de suas pernas torneadas, afastando-as. Apoias parcialmente o peso do corpo nas mãos sobre o fogão atrás de si, não sem antes girar a chave para extinguir a chama que aquecia o alimento. Repetindo o crime de Prometeu, roubou o fogo de inox do Monte Olimpo para entregar ao homem, transferindo-o para dentro de si mesma. E tal como o original transgressor, imobilizada sofreria seu merecido castigo, desprovido de pudor.

Meus dedos e pulsos seguem pela lateral dos glúteos até a frente das coxas, enlaçando-as em meus braços como ofídios enrolando-se à sua presa. Tens a teus pés um vassalo, que se ajoelha com a única função de regozijar-se em vossa infinita alacridade, que não deseja ele que acabe; e um senhor de seu erotismo, que a conduz a vales profundos e por muito poucos explorado, de vida íntima e desnuda de preconceitos, amarras, medos, pecado. A leva à luzes ocultas aos da superfície. Um mundo mágico, proibido e secreto — por pura preguiça e covardia da natureza humana, dogmática e mesquinhamente apequenada.

O primeiro toque é intenso, o encaixe do músculo bucal aos lábios internos é fascinante, algo inédito, como filme a que assistimos e que após algumas repetições, eventualmente nos revela nuances, sentimentos e observações surpreendentes sobre o que críamos conhecido. Percorro-te por entre, até quase alcançar teu ápice jubilativo; volto em ação que lhe revira os olhos, a brande por inteiro, derrete-a de desejo. Brinco à entrada, forçando em falsas ameaças, penetração com o instrumento de meu paladar. Tudo se faz de desentendido, sentindo cada vibração em toda a língua, que multiplicando-se, reverbera por meu corpo; agiganta meu pênis, me eriça e inebria de fome por você.

Permaneço; minhas mãos se divertem em suas curvas, minha língua pinga de saliva grossa, indicativo de cupidez intensa, e água vaginal cristalina e viscosa, mostruário que me arremede ardor irrefreável por seu corpo e tua alma sexual. Por fim, inesperado, imprevisível, em mais um movimento longilíneo no fundo de seus lábios, ininterrompo minha ascendência palativa e cubro de uma vez o clitóris que tanto desespero acumula por enfim se deixar tocar, tão ou mais intenso que o dedo anteriormente fizera, momento similar e incomparável de esplendor intenso e diverso.

Oscilas entre o gemido e o rareamento de ar, e de fato gemerias se pudesses respirar. Lhe drogo a mente, com um vício duradouro que nunca irá de todo superar.

Serpente ardilosa, transpirando de querer, minha língua é tua dona; tentas resistir, mas toda delícia a domina, como à mulher consentemente agrilhoada e abusada sem poder se defender. No entanto, apenas algemas invisíveis prendem você. Podes sair, desvencilhar-se sem grande esforço, pedir decidida a que se interrompa teu encanto em forma de pelos, pele, músculos, voz, olhar e cheiro de homem. És escrava de teus intrínsecos anseios de aprazimento, alegria, intensidade, ânimo e sentido. Seu próprio vulcão desadormecido a mantém no lugar e a aprofunda, dançando quase imperceptivelmente sobre os lábios notoriamente atraentes, irresistivelmente macios e delirantes ao toque.

Prolongo teu tormento; exiges, determina o auge forte e descontrolado, ao que me nego, proprietário que sou de sua carne e espírito naquele instante e em outros mais. Pauso, mudo o ritmo, o percurso, tudo faço que lhe interrompa o caminho ao clímax suplicado, de modo a alimentar teu ensejo e fúria por mim, seu involuntário ódio erótico de querer mais, mais. Sorrio; suspiro de satisfação, nenhum outro momento é similar ao de teu sofrimento luxuoso de deleite interminável. Amo-te, ambiciono-a mais que tudo. E continuo sorvendo-lhe, ninfa de meus poemas sensuais mais íntimos e explícitos.

A sessão de tortura perpetua-se; não és mais senhora de si mesma, agora uma agitação de pura cólera e incendiada libido. Ao deliciamento do choque estático e cinético entre os dois corpos, tens reverenciando-a ao solo alguém a quem nunca sentiu tamanha ira. Perdes as referências. Ignoras o tempo, o espaço, o local, seu próprio nome. Mergulhas impotente, engolfada por voluptuosidades irreconhecíveis e inauditas à imaginação. Cada pedaço de suas fibras musculares e epitélio, cada gota de ti é puro regalo, tremor, relaxamento tenso, dor maravilhosa sem doer, ausência vocabularial de expressão fidedigna.

Grito, suor, calor, tudo é intenso e aflorado, liberto e reprimido. Sentes desfalecer, ou talvez seja impressão, ideação alucinativa. Não sabes mais nada, se o suportas ainda, o que acontecerá. A cada deslizar cuidadoso, molhado, repleto de tesão e necessidade da amante amada, vibras na língua dele; pulsos elétricos são emitidos em direção aos seios, pescoço e lábios, passando pela barriga, fria e quente. Ondas irradiam por suas nádegas, coxas e ânus, os braços parecem tremer. Ignoras tudo; és só energia, sexo, prazer.

Em um momento no infinito, introduzo um terço do dedo médio em você. Aperta-me, causando intenso exulte a nós dois. Satisfeito por este segundo de existência, volto a lambê-la maciamente, enquanto quase sem se mover, disfarçando-se entre milímetros dissimulados, meu falo improvisado penetra até a metade e lá se acomoda, sentindo cada fagulha contínua ao redor, cada pulsão e delírio que emanam como ondas solares. Teu cio se intensifica para além do que conceberias razoável, e ainda assim o pedaço de homem irresistível, sentado de lado sobre o piso da cozinha, continua a lhe dar tratamento odiável, cultivando teus sentidos indefinidamente. Talvez em algum instante de intervalo na vertigem considerara, como determinação ou jura, de que o agrediria fisicamente ao término de tudo aquilo. Afinal, vossa sanha não a enganaria; porém, teu discernimento misturava realidade e fantasia.

Seu algoz acompanha o emolumento de teu gozo, escorrido o tem na mão e nas tuas coxas. Sem interromper-se ou acelerar, ele a leva onde tudo de vez se perde, inclusive todo resquício de ar: gozas intensamente em sua boca e dedo, escorrendo continuamente tua água e a consciência. Proclamas quase em súplica, “ai, amor…”, como se sentisse pena de si mesma, pedindo clemência de mim. Negada, transmuta-se em labaredas, súcubo demoníaca; xingas com furor o destinatário do seu amor, anjo masculino de sua paixão — “seu filho da puta!”. Segundos de eternidade depois gritas, sem perceber, em volume surpreendentemente alto. Todo teu corpo é contração, duro como rocha, vibrante como uma ária agitada, pesada, forte, sinfônica, romântica, pornográfica. Joga a pelve para a frente, pressionando o clitóride na língua de deidade olímpica e deslizando no dedo mágico dentro de ti. Implosão explosiva sequencial prolongada, progressão infinita: orgasmo divino.

No ponto inexato do ilimitável, relaxas, por fim. Em algum momento, parece que o calvário encerra. És mole, és fêmea; desejada, gostosa, saciada, gata, sexy, encantada, apaixonada, viva, brilhante, grata, amada. És minha mulher.

Levanto-me e olho-a nos olhos, um tanto abaixo dos meus. Envolvido em tanta eroticidade recíproca, o caralho está maior que nunca; quente, rigidamente tumefato, com veias saltadas, pulsante, ansioso por mais. Com meu olhar próximo a seu rosto, perscruto a imensidão de seu oceano ocular, meu céu de estrelas, chama vital e mistérios. Elevo o dedo médio banhado, e tendo sido por seu vizinho tocado, afasto-os criando leque de visgo gozado, cobrindo-te as bordas vermelhas da boca como lençol de você. Revisto sua língua, ávida por a si mesma beber; impeço-a de se lamber. E assim, sedenta, beijo-a apaixonadamente, teu cheiro e gosto molhado entre nós. Seguro-a entre o pescoço e a lateral da cabeça com uma mão, a outra em sua cintura. Contemplo-a novamente. Seu olhar é indefeso, carente, como alguém abandonada no meio do caminho, desalentada, pedindo por carinho. E de sexualidade selvagem, delicada, intensa; desejante, acima de tudo. Você é todo um universo de paixões a ser infinitamente explorado.

Tens uma descoberta tão assustadora quanto gostosa; há ainda mais tenção tensa de tesão por mim, agora. E precisas daquela rola enorme, rigorosa, de esculpidas saliências marcadas, abrasadoramente quente, pulsante e superficialmente macia dentro de ti. Com jeito, carinho, desejo imenso, suave, forte. Apenas na entrada. Completamente no fundo.

5 comentários em “Biquíni e Fogão

    1. Dias antes de postar, pensei em você e imaginei que iria gostar. Feliz eu seria se a inspirasse, ainda que um pouco. Pois são seus textos cheios de sentimento, paixão, feminilidade. E absolutamente, inspiradores. Tua arte colore um pouco mais o mundo, poetiza.

      Curtido por 1 pessoa

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