O Peso Leve de Cada Vida

Tudo é tão leve, e tão raso.
Tudo é tão transitório, inconsistente, transparente e esquecível.

A vida é um sopro de Zéfiro, um olhar ao horizonte, folhas secas que a brisa do tempo leva a lugar nenhum.

Os monumentos enferrujam, os heróis morrem e suas glórias são cobertas por limo e esfareladas em ferrugem.

A memória esgarça o que não existe, resistência sonhadora ao inevitável ocaso de tudo que não é.

Carreguei tanto peso de importâncias importantes, atravessando túneis desprovidos de fótons, engolfado por ares úmidos e pesados, imerso em massas escuras incomprováveis à consciência e ao corpo detectadas em cada átomo de quinta essência.

Somos segundos de sonhos, pegadas, suores, luz, relâmpago e trovões. Constituímo-nos de tempestades, calmarias, risos e trovas, vazios, saudades e pó.

Tudo passa, tudo sempre passará.

Tudo passa.

Passará.

7 comentários em “O Peso Leve de Cada Vida

  1. Um peso não tão “leve”. É certo que tudo é transitório, os eventos, sejam eles bons ou ruins são passageiros, mas há aqueles que insistem em ficar.

    Achei bem interessante a reflexão. Estou adorando o seu blog.

    Curtido por 1 pessoa

    1. A vida nunca está pronta, é sempre um rascunho de si mesma, frágil e incerta. Sob uma visão pessimista, um caos por si mesmo, sem finalidade qualquer.
      Este texto foi um desabafo íntimo. Me é curioso que as pessoas gostem, pois estas são palavras egoístas, escritas como para para mim apenas.

      Os eventos que insistem em ficar o fazem pelo mesmo tempo vão que dura a existência de um ser biológico. Vendo de cima, de fora, são efêmeros; carregados pela brisa do tempo aos horizontes de esquecimento. Senti que no fim, nada é nada à medida em que deixará de ser, tenha a tristeza ou alegrias que tiver.

      É um pensamento possivelmente entristecedor. E oculta a ideia de que talvez os fardos que carreguemos nas preocupações da consciência não precisem ser tão pesados assim. Por fim, a experiência da vida pode não ser mais séria do que imaginamos que seja.

      O texto é apenas um sentimento, uma auto-provocação. Não havia pensado sobre a permanência, como a disse. Fico feliz que a tenha inspirado em comentar.

      O texto “Multidão” é outra confissão intensa, escrita toda em uma cadeira de madeira e tecido em um bar. É possível que o aprecie.

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  2. Embora pareça que caminhamos sozinhos, nunca estamos completamente sós. O seu desabafo íntimo pode descrever com veracidade, o que outra pessoa sente, percebe ou vive. Lerei os outros textos citados no seu comentário, tenho certeza que gostarei deles também.

    Curtido por 1 pessoa

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