A Passagem de Francisco

Parece que a sensibilidade em tudo, aumenta. O ar acaricia tanto como um amigo ou amante, quanto traz eflúvios distintos, perfumes, aromas interessantes. O olfato fica tal o de um perdigueiro, me deixa que nem formiga atrás de alguma guloseima que não sei bem o que é. E não obstante acaba por ser uma, mesmo.

Doce de leite, brigadeiro… parece que tem que ter chocolate; é um conforto, um consolo.  Uma companhia, ou um tempero à própria companhia de mim mesma. É um homem, daqueeeles, em barra. Ou em colher, caso do brigadeiro. Um homem uma vez me perguntou porque não enrolo o doce cozido e passo no granulado, para fazer jus ao nome. Eu disse que não precisava, era bom assim. A sugestão, segundo ele, é que o chocolate mais amargo do granulado equilibra parte do doce da massa, deixando-o menos enjoativo. Bem, ele tem alguma razão. Droga, porque alguns homens têm de ser tão racionais quando querem?

Na vez seguinte em que cozinhei a maravilha de leite, açúcar e semente de cacau torrada, segui sua ideia de realmente enrolar brigadeiro. Ficou bom, e tudo. O chato era esperá-lo esfriar o suficiente para poder fazer isso. E untar as mãos com manteiga, para não grudar ao fazer a bolinha, e com isso melar a colher toda, quando se vai pegar a massa do prato. E depois passá-la no granulado, pôr nas forminhas… forminhas não, fiz uma pirâmide de brigadeiros. Tipo comercial de Ferrero Rocher, mas já sem o papel. Mais prático. “Quéops”, ou algo assim, ficaria orgulhoso. Engenharia perfeita. Ficou mais elegante do que um monte de forminhas com papel franzido. Tirei foto. Foi tanto coração no Insta, que pensei que fosse sair saliva do meu celular de tanta mulher babando, meu deus.

Aí, da outra vez em que eu fiz brigadeiro, comi na colher direto do prato, semiquente e sem granulado, mesmo. Ah, tem alguma coisa nesse negócio de comer com a colher direto do prato que remete à infância, ao proibido. À uma necessidade urgente. Fico mais feliz e calma, assim.

Mas falando em consolo, eu me acabo com meus little toys, e outros toys nem tão little assim. Outro dia, vi uns videozinhos no note, comendo brigadeiro de colher enquanto eles me comiam, um de cada vez. Ai… às vezes, faço uma festa comigo mesma.

Nesses dias, até a audição fica um negócio anormal. As cantadas ficam mais divertidas, ou curiosas, e os “gatos” ficam mais gatos, uma coisa! Claro, os sem-noção, os grosseiros e os malcheirosos não mudam muito, ainda dá vontade de a gente querer mudar de planeta.

Eu fico ansiosa, quer dizer, mais ainda. As fases vão evoluindo como se fossem ciclos da lua. Nervosa, chata, sensível, chorona, braba, carente, com desejos loucos por chocolates e afins, e absolutamente tarada.

Namorar homem tem suas vantagens, afinal. Se eu namorasse outra de mim, ia terminar a relação uma vez por mês. Ou duas, uma por minha causa, outra por causa dela. Mas quando mulheres andam juntas, e são chegadas, isso também entra em sintonia, não apenas os penteados e roupas. Bem, não sei se isso é realmente assim mesmo, o que sei é que uma semana por mês, eu ia “dar um tempo” com a mina. Já homem, olha que beleza: às vezes tá bravo, às vezes animado, mas no geral, não varia muito. Sempre a mesma merda, seja lá o que isso queira dizer. São uns idiotas às vezes, mas menos imprevisíveis que nós, no humor. Aff.

Até o cara que me deixa assim é, em geral, previsível. O que nesse caso, é bom. Melhor seria se ele não viesse, eu reclamei com Deus, mas… Eu já sou louca, só que esse Chico me deixa maluca.

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