Nem Ânimo Nem Lado

Falar com alguns poucos amigos sobre a falácia do ideal da utopia é uma ação para a qual meu ânimo vital esgotou-se de todo. Sobra pingota de vida, em forma de sucinto resumo.

A história mostra que o socialismo não deu certo em lugar nenhum. Um modelo político econômica e socialmente inviável, que não funciona, visto como sociedade submeter seus integrantes ao totalitarismo arbitrário, à idolatria nacionalista e à falta de liberdade de opinião, expressão e associação comum; e enquanto economia impô-los à fome, à pobreza e a vestirem-se como maltrapilhos.

Já o comunismo, etapa à qual deveria levar o socialismo, nunca existiu, nem existirá. Os que obtiveram o poder e instauraram o sistema socialista jamais — nunca, jamé! — abrirão mão do poder, da ovação, do conforto, do luxo, da idolatria, da riqueza, dos champanhes caríssimos, dos helicópteros, das mansões, do mordomo, da comida refinada, das roupas finíssimas, das mulheres voluntariosas e belíssimas. Qualquer ser humano que tenha visto O Senhor dos Anéis sabe disso. Do poder maior, do poder absoluto, não se abre mão. Haveria de renascer Jesus, para tornar-se este um ditador de esquerda, estabelecer o Estado sumariamente soberano e, então, entregar tudo ao povo. Mas Jesus não existe (só o que namorou a Madonna), é um mito, uma fábula de andar sobre a água, transformá-la em vinho, curar os enfermos, e assim por diante (o sol no solstício de inverno que “paira” sobre o mar e “renasce” “reerguendo-se” após três dias, as algas que avermelham a maré, a luz solar como restabelecedora de saúde e crescimento da flora e fauna, etc.).

A fé do esquerdista sincero jaz em uma humanidade santa. Pacífica. Amiga. Delicada. Comum. E sem cristo nem deus: porque fã de Lênin e Stálin é ateu. Sua fé na fé não-metafísica é tão sólida, que poucos não foram os padres e freiras a sucumbir sob maior ou menor crueldade em suas revoluções rojas. Vermelho é a cor do amor. E a do ódio, também.

Porque comunista mesmo, só conhece briga, discussão acalorada e guerra. E fome. E roupa furada. E marretada no muro. E Iphone 37 plus-elite com capinha do Che Guevara.

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E o capitalismo?

Essa maravilha do “Uncle Sam” funciona bem. Para os ricos. E para os que têm pouco dinheiro, pouco caráter, bastante esperteza e muita ambição. É o altar à deusa Ganância, essa querida e amada substância humana.

Para além de toda filosofia sobre a gestão pelo capital, sua irremediável característica é que ela depende de crescimento infinito para suster-se (salve, ó Ganância! tão deusa e tão humana!). E o problema, é que o mundo em que ela exerce-se é finito.
O capitalismo é a aranha gigante que, de tanta fome, terminará por comer a si mesma (Tolkien, oh, Tolkien…).

Mas logo Marte terá um Mc Donalds.

Tio Sam é o velho danadinho que, com três devidamente muito bem-dotados afrodescendentes no rabo (“ao mesmo tempo”, como diria Odete a Mário Alberto), ainda grita: “mete tudo! Tudo!”. Ao que um dos apetitosos fornicadores responde: “pô, mas já foi até o talo! Até os talos, na verdade…”.

O Uncle não se dá por vencido: “então põe mais!”.

O capitalismo é um buraco sem fundo. Quem tem limite é o universo, não a ânsia da ganância, nem o seu cartão de crédito.

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O que restou? Bem: as monarquias não deram certo, os impérios também não. As ditaduras fascistas não prestaram, as ditaduras socialistas não funfam. A democracia, (capitalista, obviamente) é isso aí que taí. Os países mais ricos e socialmente avançados, exemplos para os demais, não têm problema de dinheiro — após séculos de roubos, exploração e escravização sobre os outros países do mundo. Já os países pobres têm muita plantação e gado, muito corrupto e muito boi, mula e camelo. E flocos de neve, que rugem como leões e são frágeis como lesmas.

De modo que é; é um merda. O mundo é uma merda. As sociedades e civilizações são um monte de merda. A civilização helênica cinco séculos antes da Era Comum era uma maravilha para nós, mas pergunte a quem lá era escravo ou viúva que perdeu o marido jovem numa das infinitas guerras contra os mesmos adversários de sempre. Uma merda.

O que soborou pra nós é curtir a puta da vida como esta se apresenta (às vezes suja, peluda e de mau humor), e ir atrás daquilo que se deseja na medida em que der (grana para pagar uma cheirosa, depilada e sorridente).

Pois é. A vida é uma puta, mesmo. E nós, seus clientes descartáveis e fiéis.

Iwo Jima, fev. 1945 / Berlim, mai. 1945 / Dresden, fev. 1945

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